terça-feira, 16 de março de 2010

Ratoeira

Acabaram de avisar-me que terei problemas em breve.
Mas, enfim, já caí na armadilha; já pisei na ratoeira.

Olhando por outro lado, devo admitir algumas coisas:
Até que eu gostei de cair nessa armadilha!
O que estaria eu fazendo caso não estivesse preso nessa ratoeira?
Estou preso, bem preso. E ratoeiras foram feitas para machucar.
(e afirmo que realmente machuca!)

Mas além desse ferro que me fere,
além dessa mola que me prende,
há um queijo.
E quanto mais forte esse ferro rasga minha pele,
mais saboroso aquele queijo fica.
E eu alcançarei esse queijo, pode ter certeza disso.


Para concluir, novamente deixarei uma frase de um amigo, não o grande, mas um distante amigo:
"É bom porque está ruim. Seria melhor se fosse pior!"


(Texto dedicado ao André e a mim mesmo.)

sexta-feira, 12 de março de 2010

Divagações de uma cabeça dolorida

Mais uma noite e eu escrevendo novamente.
Ah, como eu gostaria de saber o que realmente quero escrever, mas só fico escrevendo qualquer coisa até, quem sabe, chegar a um ponto certo.
Apesar de não gostar muito, no momento eu devo admitir que caí na livre associação freudiana.
Enfim, isso não vem ao caso agora.

Voltando ao ponto principal:
Apesar de ser mais uma noite escrevendo, essa não é uma noite comum.
Estou com uma dor de cabeça desgraçada, faz horas, e mesmo assim estou escrevendo em frente ao computador e ouvindo músicas russas.
Quanto a dor de cabeça, hoje eu me recusei a tomar analgésicos.
Bom, o fato de medicamentos nos "estragar" mais ainda e acelerar nossa morte é questionável.
Depois de não tomar meus analgésicos hoje, senti-me muito próximo da morte.
É claro que estou exagerando, mas como sofri.
Mas tudo isso me recorda o Homem do Subsolo: se não tomo meus remédios é por raiva de mim mesmo!

Mas não é de hoje que essas dores de cabeça me atormentam.
No mínimo duas vezes por semana ela me visita.
Já me falaram de stress, que pareço tenso ultimamente.
Nem sei o que dizer sobre isso, não me sinto tão tenso assim; mas ao mesmo tempo sinto que estou muito tenso.
Ahh, como doem minhas costas, meu pescoço... e isso é todos os dias!
Ahh, chega de queixas!!!!!!
Novamente isso me recorda o Homem do Subsolo: uso meus problemas para vangloriar-me. É aí que um homem pode encontrar prazer em uma dor de dente! Até em uma dor de dente! (Dor nas costas ou pescoço, no meu caso)

Chega de idéias do velho russo por hoje!
Ah, como estou perdendo tempo escrevendo isso.
Mas pelo menos estou fazendo. Não estou pensando em fazer.
Maldito momento em que pensamos em fazer as coisas. Em vários casos é exatamente nesse momento que perdemos a oportunidade de executar o que queremos.
Vai que resolvemos esperar, e nesse meio tempo morremos! Oh, morremos com um tiro no meio da testa, isso não interessa! O que de fato interessa é que perdemos a chance de executar o que queríamos e...e...e... o que foi da sua vida?
Por isso mesmo eu estava falando para um amigo meu outro dia, que se ele realmente quisesse fazer, que não ficasse se preocupando com o que outra pessoa pensaria, mas que simplesmente fosse lá e fizesse logo!(antes de morrer.)
É um bom conselho, não acham?
Mas eu já digo, eu estou esperando!
Esperando o que?
Ahh, se eu soubesse o que, eu não estaria esperando! Mas vou esperar, por mais alguns dias... talvez.
E se eu morrer?
Ahh, se eu morrer... eu morrerei!
Se houver alguns segundos para pensar, antes de meu coração realmente parar de bater, eu sentiria asco de mim mesmo, por ter esperado.
Mas mesmo assim, espero. Mas em breve farei...
Fará o que?
Ahh, chega de perguntas difícies!! Como diabos saberia o que farei??

Acho que isso já está num nível meio esquizofrênico, paro por aqui hoje.
Mas devo deixar uma frase que sempre ouço de um grande(de tamanho mesmo) amigo meu:
"Ahhhh, a que ponto chegamos!"

quinta-feira, 11 de março de 2010

Em protesto

Hoje a tarde sentia-me tão feliz.
Não via tantos problemas.
Até tentei me lembrar de "coisas que me davam nojo",
mas eu via uma solução praquilo.

Enfim, até cheguei a pensar em escrever:
"Hoje estou tão feliz, e quando assim estou, nada tenho para escrever!"

Mas... o dia continuou, as coisas mudaram.
Ahh, nem entendo como eu pude me sentir daquele jeito, naquela hora.

Enfim, quando cheguei em casa já não podia mais escrever a mesma coisa.
Eu já estava pensando em novas coisas para escrever... Novas desgraças!
Mas não escreverei, só em protesto!
Vou guardar, mas não vou escrever.
Quem sabe outro dia...

somente por raiva disso tudo]

segunda-feira, 8 de março de 2010

Insônia

Felizmente já não sou mais aquele maldito idealista de 5 anos atrás;
Infelizmente já criei um pouco de noção da realidade;
Felizmente já percebi que não devo acreditar tanto nas pessoas;
Mas infelizmente ainda acredito muito nelas.

Ahh, que nojo de viver;
Nojo de ter que olhar para um "ser humano" nos próximos minutos;
Nojo de saber que "aquilo" não pensa em nada, a não ser em si próprio;
Nojo de saber que ainda confio "naquilo".

Mas ainda me resta um pouco de orgulho;
Um pouco de amor próprio.
...muito pouco....
Mas o suficiente para ter nojo de mim mesmo.

domingo, 7 de março de 2010

Quatro e dezesseis

Quatro e quinze da manhã, madrugada de sábado para domingo. Eu, sem horário para acordar, estava mergulhado em um sono maravilhoso. Sono que foi interrompido, um minuto mais tarde, pelo celular tocando. Ele estava ao lado de minha cama, em cima de um livro de psicologia, e fez barulho suficiente para que eu acordasse.
Logo pensei, ninguém me liga, nem durante o dia. Pois então quem estaria me ligando as quatro e dezesseis da manhã? Enfim, estava com muito sono para me questionar tanto, simplesmente atendi o celular com uma voz bem grave, típica de quando eu acabo de acordar.
-Alô?
-Oi! Esse é o telefone do guincho? - Perguntou o rapaz do outro lado da linha. E eu, já sabendo do engano, respondi:
-Não, esse é um telefone particular.
-Ah, desculpe, amigo. Obrigado. - Respondeu o rapaz.
Eu não tive forças para respondê-lo, então apenas desliguei o celular. Respirei fundo. Quando estava começando a pensar em reclamar de ter recebido uma ligação por engano as quatro da manhã, pensei: "Bom, eu acordei as quatro recebendo uma ligação por engano, mas pelo menos não estou na rua, tentando ligar para o guincho e ainda por cima com o número errado".
É, as coisas não estavam tão ruins assim. Dei uma rápida alongada nas costas, deitei-me, joguei o cobertor por cima da cabeça, como de costume, e rapidamente dormi.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Morte Eterna

Esse texto foi escrito em 2007, eu acho. Enfim, eu pensava que já havia postado ele, mas não encontrei no blog, então aí está!
Obrigado a todos que lêem e comentam.
M.H.F.


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Morte Eterna


I

Antes de morrer ele sentiu algo diferente, algo que não havia sentido até aquele momento. Foram 37 anos que passaram e ele percebeu que encontrou a morte durante cada ano, mês, dia, hora e até mesmo segundo de sua vida. A morte estava lá. Cada segundo que passava ele morria. A morte era rápida e nada dolorida, talvez por isso imperceptível. É uma doença incurável que todos têm, mas a maioria não percebe.
Ele vivia momentos incríveis, mas estes terminavam. Tentava recuperar a memória de dias que poderiam ser chamados de "inesquecíveis", mas elas vinham deterioradas, sujas, e falhadas. Nunca aceitou isso, e nunca parou de pensar na morte, sem saber que já padecia e morria cada vez mais.
Quando realmente chegou a morte em que tanto pensava, ele sentiu angustia e perguntou para um senhor que aparentava uns 73 anos.
-É assim? É assim que tudo acaba?
-Não. - Respondeu o velho com uma voz rouca, similar a de fumantes.
-Como assim? Então como é? Eu estou morrendo agora! E você me diz que isto não é o fim, e que não é assim que tudo acaba?! Você quer dizer que este não é o fim?
-Não sei.
Irritado com as respostas curtas nosso jovem moribundo se exaltou.
-Ora! Basta de respostas inúteis! Você sabe tanto quanto eu! Isto é, não sabe NADA!... - hesitou e, mudando a expressão furiosa para um semblante confuso e ao mesmo tempo assustado, perguntou - Ou sabe?
-Talvez. - Também hesitou por alguns segundos mas respondeu com convicção e sem alterar a expressão arrogante, com um sorriso irônico - Quem diz o que eu sei ou não sei é você!
-Ah! É fácil assim? Então quero que você saiba de tudo! - Disse após uma gargalhada que durou uns 5 segundos.
-Pois então eu sei tudo.
Um longo silêncio rompeu o diálogo, e ao mesmo tempo assombrou o jovem. Ele não sabia muito bem quem era aquele velho e aquele ambiente, embora parecesse familiar, era um pouco angustiante. Não possuía ventilação alguma e o ar abafado as vezes impedia a respiração espontânea. Havia também uma mesa junto da cadeira em que aquele senhor sentava-se. Aquela parecia muito antiga e pouco usada.
Para querer assustar e chamar a atenção do velho, ele resolveu arremessar um soco contra a mesa, porém quando o fez, subiu uma poeira a qual fez com que ele se afogasse. Sentiu-se febril e doente.
-Você não sabe o que vai acontecer agora, certo? - Disse o velho inesperadamente, com tom de início de um longo discurso, porém parou ali mesmo.
-É óbvio que não sei. Se soubesse não lhe perguntaria.
-Claro, claro, é claro! Você é realmente medíocre.
-Ah, eu sou medíocre agora!? É, talvez seja sim. Ou até mesmo idiota de esperar respostas de um velho como você.
Levantando-se da cadeira, o velho chegou bem próximo do jovem e encarou-o de perto, olho a olho. O idoso senhor parecia muito irritado, mas em contradição a aparência, ele falou calmamente.
-Não planejou nada para este momento, não é?
O jovem ficou realmente amedrontado. Sentia-se estranho. Tinha medo de que o velho lhe atacasse de alguma forma, mas não entendia isto, pois nada tinha a temer já que estava praticamente morto.
-Não... - respondeu com a voz tremula.
-Você planejou tudo em sua vida. Estudar, fazer uma faculdade, trabalhar para conseguir uma estabilidade financeira, casar e criar uma família, certo? - e antes de receber a resposta foi continuando o discurso. - Sim, sim, sim, sim, que maravilha! Tudo isso se concretizou! Qual será o motivo, hein?
-Eu...e-eu não se..
-PORQUE VOCÊ PLANEJOU TUDO! - Exaltou-se o velho interrompendo a resposta gaguejada do jovem. - Você teve seus sonhos, suas ilusões. E durante toda sua vida viveu os mesmos sonhos e ilusões. E porque agora não continua criando sonhos e ilusões? Você quis morrer, estava nos seus planos. O problema foi que você parou por aí, e agora? Quer que alguém escreva um destino pra você após a morte que VOCÊ escolheu ter? Pelo visto além de medíocre você é ignorante! - demorou um tempo, olhou para um antigo relógio de prata escurecida no pulso e continuou - Pois então, agora é a hora da morte.
O jovem não sabia o que falar e nem em que pensar. Milhões de coisas passaram pela cabeça dele e a sensação febril agravou-se. Sentiu também uma forte pressão nas laterais da cabeça e a vista foi apagando lentamente. Quando recuperou a visão o velho havia desaparecido e os sintomas foram voltando gradativamente até que só existiu a escuridão, um forte calor, e uma agonizante sensação de sufocação.
E ele morreu.

II

Quando digo que ele morreu, é porque ele realmente morreu. Morreu em um pesadelo durante a madrugada fria do dia 21 de junho. Sentiu-se aliviado ao se ver na cama e na casa em que sempre viveu. A esposa dele ao lado, dormindo.
Quando achou que todo aquele terror do sonho havia terminado ele lembrou que morria a cada segundo que passava. Sabendo disso sentiu a mesma dor de cabeça que sentiu antes de "morrer" no pesadelo. Tentou pensar em como evitar essa morte, e não chegou a conclusão alguma já que o tempo corrompia a vida. Então tentou pensar em como aproveitar melhor, já que morria de segundo em segundo, ele teria que aproveitar cada um. Descobriu que ele apenas não deveria pensar e simplesmente viver.
Sentiu uma enorme alegria ao saber que poderia viver mais, e colocou levemente a mão sobre o ombro da esposa com o objetivo de acorda-la, e teve êxito. Ela, sem entender muito, olhou para ele com esforço. Ele a abraçou com entusiasmo e disse.
-Eu amo você!
Ela, continuando sem entender, disse que também o amava e falou que ele deveria dormir. E assim, ela voltou a se entregar ao sono.
Já ele, sem deixar de abraça-la, não teve vontade alguma de dormir. Apenas sentia uma intensa força e animo para viver, sem perder um segundo sequer.

segunda-feira, 6 de abril de 2009



Talvez...

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Mudas mudanças

Não adianta
querer voltar para aquele lugar
onde você passou ótimos momentos.
Mudou...

Não adianta
querer rever aquela pessoa
que era tão querida e amiga.
Mudou...

Não adianta
querer sentir aquela mesma coisa
que sentiu quando recebeu aquele olhar.
Mudou...

O sentimento mudou; o olhar mudou.

As pessoas mudam
e apenas deixam as memórias.

Estas não mudam, infelizmente.
Permanecem para torturar-lhe.

Tudou mudou!
E o que mais precisava mudar...
...Não mudou!

Quando conseguirei parar de pensar nisso?

segunda-feira, 14 de julho de 2008

­ ­ ­ Tente parar de tentar

Você deve tentar, então você deve tentar!

Mas nada que você fizer vai mudar

o que realmente é.

­

Pois o que realmente é, já está feito!

E por mais que você tente,

você nunca vai conseguir ser odiado.
­

Sempre haverá alguém ao seu lado!

E essa pessoa vai amar...

­
...Vai amar ver você sofrendo!

Ver você querendo matar todos em sua volta.

(Inclusive você mesmo)
­

E por mais que você tente,

as pessoas nunca farão o que você faz.

as pessoas nunca verão o que vê.

E enquanto mais odiado você for,

mas amoroso você será!

­

­E não há nada a fazer,

apenas odeie quem (supostamente) te ama,

e ame quem (realmente) te odeia.

­

E assim,

inutilmente...

...o tempo vai passando...

...futilmente...

...e comendo os sentimentos...

...permanentemente...

...até você estar seco...

...completamente.

­

E não me diga para não correr contra o tempo,

e sim me mostre se há algum modo de correr a favor dele!

sexta-feira, 14 de março de 2008

Apenas Vivemos...

Vivemos apenas para amar...
Vivemos para reclamar.

Vivemos para sofrer...
Ou apenas por viver.

Há algo para sustentar,
Há um abismo para pular,
Há sempre alguém para amar,
e em consequência disso,
há alguém para matar.

Temos ideias para ler,
Temos paradoxos para escrever,
Temos ódio para sofrer,
e em consequência disso,
temos pouco tempo para viver.

Há portas para abrir,
Há momentos para mentir,
Há pessoas para reprimir,
e em consequência disso,
há mentes para existir.

Temos caminhos para expor,
Temos fatos para supor,
Temos guerras para propor,
e em consequência disso,
temos vidas para depor.

Vivemos para rir...
Ou apenas para sentir.

Vivemos apenas com pudor...
Vivemos por amor.